
“Eu acabei decidindo ser feliz por mim mesma. Se importar demais sempre custou caro. Sorrir forçadamente sempre machucou muito. Acabei tendo que me acostumar com ausências e alguns lugares ocos. A vida é assim: quando nos acostumamos com a presença de alguém, essa pessoa acaba indo embora. Parece até aquela teoria da conspiração. Acabei percebendo que olhar mais no espelho pode ajudar a autoestima e evitar dor de cotovelo. Às vezes esse maldito espelho também pode causar uma bela dor de cabeça, mas fazer o que? É a vida. Acho que sempre vou ser esse poço de carência e confusão, uma coisa inevitável. Algumas pessoas nasceram para nunca se sentirem boas o suficiente e sempre acabam achando defeitos nelas mesmos. Estou incluída nessa lista, talvez até no primeiro lugar. É só que decidi conviver com isso. Essa busca incessante pelo estúpido “eu interior” está acabando comigo. Vivo tentando me entender, tentando achar alguma resposta para essa pessoa complicada que sou e sempre acabo voltando para a estaca zero. É frustrante. Aí outra coisa inevitável. Agora mesmo estou escrevendo sobre uma coisa e daqui a meia hora vou pensar e sentir o oposto. É tudo uma droga mesmo. O que eu estava dizendo? Ah é! Acabei percebendo que as pessoas nunca vão nos entender como realmente queremos que elas entendam. Às vezes sou eu, também tem esse lado. Pode ser que todos tenham sua alma gêmea, sua cara metade, seja lá o que for e eu seja a única que tenha que me acostumar com essa constante sensação de insuficiência e medíocre solidão. Quem sabe sou a única que é complicada o suficiente para ter vontade de desistir de mim mesma de vez em quando? Vai saber… Ou não. Às vezes não sou a única. Digo que aprendi a conviver comigo mesma, minto sobre a felicidade que estou no momento e me conheço bem o suficiente para saber que amanhã mesmo vou questionar Deus e o mundo por não colocar uma pessoa que presta na minha vida para me fazer rir. Acabo me perdendo em meio a tantos pensamentos, tanta coisa que eu queria escrever mas esqueço por causa dessa mente perturbada. Digo que não sinto falta das pessoas mas a verdade é que daria o mundo para ter algumas de volta. Digo que não ligo para o fato de ser bem sozinha às vezes quando de vez em quando preciso de um abraço ou outro. Que peça essa vida pregou em mim, hein? Fazer logo a garota do coração de gelo se sentir toda sentimental e carente. E essa coisa de dizer que sou a garota do coração de gelo? Oras, meu coração bate como o de qualquer outra pessoa e sangra também. É só que às vezes nem parece, sabe? De uma hora para a outra tudo fica tão frio… Deve ser mais uma das coisas inevitáveis da vida. De vez em quando tenho vontade de jogar tudo pra cima, arrumar minhas coisas em uma mala só e ir embora sem me despedir de ninguém. Sem satisfações, amarguras e inseguranças. Ai eu me lembro que nem tudo é como nos filmes e tenho que me acostumar com mais uma coisa. Empurrar as coisas com a barriga cansa muito também. Acho que estou me perdendo de novo… Inevitável.” Carolina, c-allgirl
(Source: c-allgirl, via sociedade-bandida)

